Cepe avança na implantação do processo seletivo de avaliação seriada
Foram instituídas comissões de acompanhamento, estruturação das avaliações e operacionalização do novo modelo de ingresso na graduação da UFMG

O Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe), em sua sessão de 11 de março, seguindo a orientação do Conselho Universitário, encaminhou decisões para a implantação da modalidade própria e adicional de seleção de estudantes para ingresso nos cursos de graduação da UFMG, baseada em avaliações relativas às três séries do Ensino Médio (EM).
Por meio de resolução, o colegiado regulamentou a Comissão Permanente de Acompanhamento do Processo Seletivo de Avaliação Seriada, que terá papel consultivo e assessor junto à Câmara de Graduação. A criação dessa comissão havia sido prevista em janeiro deste ano pelo Conselho Universitário, que delegou ao Cepe sua regulamentação. Entre outras atribuições, a Comissão vai monitorar e avaliar continuamente o processo e promover articulação da Universidade com as escolas de educação básica.
Na mesma sessão, em 11 de março, o Cepe aprovou a criação de duas outras comissões, de natureza técnica e temporária. A Comissão Estrutura das Avaliações vai propor, por meio do documento norteador, diretrizes para a elaboração dos exames e será organizada em subgrupos referentes às áreas de linguagens, matemática, ciências da natureza e ciências humanas e sociais aplicadas. A Comissão Operacionalização, por sua vez, vai tratar das questões administrativas e das referentes a editais, sempre em conjunto com a Diretoria de Processos Seletivos (Copeve).
O Conselho Universitário estabeleceu, por meio da Resolução nº 01/2025, de 30 de janeiro, que, a partir de 2028, 30% das vagas de cada curso de graduação serão preenchidas por meio do processo de avaliação seriada: estudantes do Ensino Médio e egressos do EM e da Educação de Jovens e Adultos (EJA) – independentemente do tempo passado desde a conclusão – serão avaliados em três etapas, relativas a cada um dos três anos do Ensino Médio.
Coexistência com o Sisu
Essa forma de seleção de novos alunos vai coexistir com a que se baseia nos resultados do Exame Nacional de Ensino Médio (Enem) e no Sistema de Seleção Unificada (SiSU) e também com processos que demandam provas de habilidades específicas, relativas a cursos da Escola de Belas Artes e da Escola de Música.
O primeiro exame do ciclo 2025-2027 está previsto para 14 de dezembro, um domingo. Antes disso, será divulgado o documento norteador do processo para as avaliações do ano 1, que será elaborado pela Comissão Estrutura das Avaliações. O conteúdo programático será orientado pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e pelo Currículo Referência de Minas Gerais. Neste ano de 2025 haverá apenas a avaliação referente ao primeiro ano do Ensino Médio.

Diversidade e inclusão
A resolução que implantou na UFMG a seleção por avaliação seriada para os cursos de graduação é guiada pelo princípio fundamental da promoção da diversidade e da inclusão na Universidade, como enfatiza a reitora Sandra Regina Goulart Almeida. “Esses são alguns dos valores mais caros à nossa instituição, junto com a qualidade e a relevância social. Com a adoção da avaliação seriada, estamos dando mais um passo importante na direção da diversidade de formas de processo seletivo, reafirmando nosso compromisso com a construção de uma UFMG mais inclusiva. Importante lembrar que esse processo seguirá a legislação que determina as cotas de reserva de vagas e potencializará os muitos projetos no campo das ações afirmativas que são desenvolvidos com sucesso na UFMG”, afirma a reitora. Ela ressalta também que a Universidade segue buscando outras formas eficientes de atingir os estudantes apoiados pelas políticas de ações afirmativas. Sandra ainda reforça o objetivo de aproximação crescente com as escolas de educação básica.
O pró-reitor de Graduação, Bruno Otávio Soares Teixeira, salienta que o caminho até as decisões do Conselho Universitário e do Cepe pela implantação do processo próprio e complementar de seleção “foi marcado por estudos sistemáticos, audiências públicas e encontros nas unidades acadêmicas e reflexões aprofundadas acerca dos diversos aspectos que envolvem a adoção do modelo pela UFMG”.

Comissão Permanente
Na UFMG, compete à Pró-reitoria de Graduação supervisionar os processos seletivos para ingresso nos cursos de graduação e à Copeve o planejamento e a execução desses processos. A Comissão Permanente de Acompanhamento, segundo Bruno Teixeira, funciona como “um terceiro olhar”, na perspectiva da avaliação processual, e conta com diferentes representações da UFMG e também das redes de educação básica e da Secretaria Estadual de Educação, instâncias externas e parceiras da UFMG.
Instituída pela Resolução 03/2025 do Cepe, a Comissão Permanente de Acompanhamento do Processo Seletivo de Avaliação Seriada será composta de dez docentes da UFMG, representando as diversas áreas do conhecimento, a Unidade Especial de Educação Básica e Profissional e as políticas de ações afirmativas e inclusão da UFMG; dois servidores técnico-administrativos; dois discentes; quatro professores das redes de educação básica e um representante da Secretaria de Educação de Minas Gerais.
Além de avaliar continuamente o processo e contribuir para o diálogo com a educação básica, a Comissão vai buscar formas de aprimoramento, propor, se necessário, revisões do documento norteador, avaliar as propostas da Copeve para planejamento e execução e produzir relatórios anuais de avaliação e com recomendações de aprimoramento do processo seletivo.
Estrutura e operacionalização
A Comissão Estrutura das Avaliações tem 32 integrantes, todos docentes da UFMG, de diversas unidades acadêmicas que sediam cursos de graduação e de pós-graduação de formação de professores da educação básica e da Unidade Especial de Educação Básica e Profissional. Eles são distribuídos em quatro subcomissões – três delas para tratar das especificidades das áreas de conhecimento e a quarta dedicada a integrar as contribuições das subcomissões de áreas.
Essa comissão vai produzir o documento que norteará o novo processo seletivo, tendo em vista a estrutura das avaliações que vão compor as três etapas do ciclo seriado, o conteúdo programático e aspectos como número de itens e duração das provas e forma de cálculo da nota final dos candidatos.

Ainda que o processo de avaliação seriada vá seguir a BNCC e o Currículo Referência de Minas Gerais, a Comissão Estrutura da Avaliações sistematizará um conteúdo programático, segundo Bruno Teixeira, porque não há uma especificação precisa, para cada um dos anos do EM, de quais objetos do conhecimento devem ser tratados em cada componente curricular (Matemática, Geografia, Física, Artes etc.). “Sob perspectiva inclusiva, a Comissão proporá um recorte do CRMG, por ano do ciclo seriado, em acordo com o padrão já praticado na maioria das escolas públicas de Minas”, explica o pró-reitor.
A Comissão Operacionalização será composta pelo pró-reitor e pela pró-reitora adjunta de Graduação, representantes da Assessoria Especial da Reitora, da Copeve, das pró-reitorias de Assuntos Estudantis e de Administração, do Núcleo de Acessibilidade e Inclusão, da Comissão Permanente de Ações Afirmativas e Inclusão e do campus regional de Montes Claros.
Esse grupo deverá oferecer sugestões para a execução do processo, proposta quanto à abrangência territorial, propostas de ações para fortalecer a comunicação da UFMG com as escolas de educação básica acerca do processo seletivo e reflexões sobre o formato e o tamanho das avaliações.

Democratização
A seleção por avaliação seriada será foco de eventos especialmente dedicados aos professores da educação básica. Eles terão início na Mostra Sua UFMG em Montes Claros e no campus Pampulha, em abril e maio, e seguirão na forma de interações com as secretarias de Educação – particularmente a Estadual de Minas Gerais, que tem maior abrangência no Ensino Médio –, por meio das ações de extensão que já são realizadas e outras a ser desenhadas. “Nossa intenção é dar visibilidade às características do processo seletivo seriado a partir desses eventos. Queremos incentivar e alcançar ampla participação da diversidade de estudantes e egressos do Ensino Médio e da EJA”, justifica a pró-reitora adjunta de Graduação, Maria José Flores.
Quanto aos efeitos do novo processo, uma das expectativas é que a iniciativa aprofunde a democratização do acesso à Universidade, salienta a pró-reitora de Assuntos Estudantis, Licinia Correa. “A UFMG tem trabalhado por mais diversidade, equidade e inclusão, e o processo de avaliação seriada é um grande passo nessa direção. Muitos estudantes ainda não têm acesso”, lembra Licinia. “Estudantes indígenas demandam o ingresso na Universidade, assim como integrantes das muitas comunidades quilombolas mineiras. O processo descentraliza ainda mais a aplicação das provas, que deverão chegar a escolas mais próximas dessas comunidades".
De acordo com a pró-reitora, os estudantes da EJA deverão ser mais contemplados em suas especificidades, as de quem frequenta a escola fora do tempo regular. “A iniciativa da UFMG tem a potência de mitigar a desigualdade, criando para diversos grupos novas oportunidades de acesso ao ensino superior”, enfatiza Licinia Correa.